Ps: Todos os textos encontram-se registrados na biblioteca nacional.

sábado, 19 de abril de 2014

Sobre a Dialética de Uma Flor


Nesses dias de alquimia ousei perguntar
sobre alguns mistérios inerentes a beleza:
Ex: O que faz uma flor de outono ser tão bela?
Num dia ensolarado está tão vigorante e erguida

E no dia seguinte murcha, sem vida... Como as fases
da lua e da mulher: nova, minguante, linda e radiante.
Mas neste espaço de tempo, a beleza se faz intensa!

Permuta de luz em sublime! Nele cabe toda uma vida,
Uma eternidade, um riso, uma lembrança de saudade.
[Nascer, botão, flor intensa, murchar e morrer...]

Mas há certo instante, assim como na vida
Onde a beleza é efêmera e universal, simultaneamente.
E o poeta, este esteta, necrológico do saber
Encontra-se salvo e perdido, ao mesmo tempo.

Num dia de chuva e trânsito caótico, não sei
em que fase estavas cotidiana musa, mas
Absorto desta beleza de você, foi como música...

(Felipe Pöe)

(poema pertencente ao livro "Esfinge", editora: Homero, São Paulo, Agebook)

quarta-feira, 28 de março de 2012

Crônica de um observador Anacrônico


- Hã? Oi? Ah, são 07h40min e a saída é logo ali! Responde-me a garota vibrada no seu tablets, de última geração, na estação de Jabaquara, quando me dirigia em direção a manada dos bois na estação da luz, pela manhã.
Uma senhora de idade do meu lado se contorce de dor, e se enfurece ao ver um garoto viajar no seu ipod nano, sentado bem no banco sinalizado para idosos, do seu lado outro garoto se diverte com a leitura de Shakespeare nos seus Ipads (Pasmei!), coçando a cabeça e se irritando com o som estrepitoso de um rádio de funk, do outro lado da plataforma impedindo, assim, sua refeição intelectual matutina...
Enquanto isso, no fundo do vagão, a garota que eu fito não tira os olhos de seu Note Book Apple, imersa num mundo de moda e beleza...

-Será que nesse mundo de relações líquidas, eletrônicas e digitais é impossível ser poeta?


(Felipe Pöe)

(poema pertencente ao livro "Esfinge", editora: Homero, São Paulo, Agebook)

domingo, 30 de outubro de 2011

Caminhos II


Se quer chegar rápido, ande sozinho...
Se quer chegar longe, andemos juntos!

(Felipe Pöe)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Scribere?


Haveria outra finalidade que não expor a dor para fora?
Uma angustação inexplicável, um “não sei quê”,
Que atropela! Uma sensação de afogamento sem água...
Pedra rolando no desfiladeiro?

Não! Talvez nunca o saberei,
Semelhante seria perguntar:
-Haveria resposta sobre o céu ser azul? Ou
Por que os ventos parecem movimentar-se com uma cadência rítmica?

Nas festas de confraternização ela está sempre comigo,
Nas reuniões de família, nos passeios domingo à tarde,
Nas caminhadas crepusculares, ela, a dor está sempre junto! Como um amigo!

Não sei sob qual vereda ela me seduziu, com sua beleza de Vênus...
Só sei que é amiga fiel e está sempre comigo! Recebam meus amigos:
É toda minha dor que entrego aos seus júbilos...

(Felipe Pöe)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Máxima!



Que fraco são os poderes das palavras e dos aforismos!
Levam tanto tempo para serem concebidos e ponderados, de repente vem uma imagem ou ação, um suspiro ou beijo (...) e destrói mais de dois séculos de filosofia germinados na mente do animal bípede!!  Medo!

(Felipe Pöe)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Grito

Acordou, vislumbrou uma luz fraca que mesmo assim lhe queimava os olhos, logo se acostumou e percebeu que olhava para o céu infinito da noite, à luz era da lua, cheia e gigantesca, levantou o suficiente para sentar-se, estava à beira de um precipício.

Olhando ao redor, tentou lembrar o que havia ocorrido, descobriu, por acaso, que nem sabia onde estava, nem como chegou ali e pior, não sabia quem era! Fechou os olhos e tentou se lembrar ao mesmo tempo em que tentou se equilibrar em pernas doloridas de quem havia levado uma surra.

“Quem sou eu?” Pergunta pertinente de quem acorda com três moedas no bolso, de sapado, calça e camisa social em meio a uma vastidão campestre a beira de um precipício e com uma repentina dor de cabeça! “QUEM SOU EU?”

Três palavras que ecoaram pela noite, três palavras que juntas representavam muito mais do que uma interrogação casual ou espontânea de quem acorda atordoado e confuso de um pesadelo. Essas três palavras representam a certeza de que a vida, mesmo que nem se lembre qual, nunca mais será a mesma... Um grito para o mundo de quem acabara de nascer que buscava um nome, um título, uma alcunha nesse novo mundo que sabia, iria desbravar.

Mas no momento, seu estomago dizia para sair dali, e para onde? Bem, as luzes distantes indicavam uma vida urbana, da qual provavelmente seu passado pertencia, e chegou à hora de regressar. Como um guerreiro que volta da batalha, ergueu a cabeça e rumou para a cidade, passo a passo, morro a baixo, as lembranças invadiram sua mente, agora sabia quem era...

Sim, agora sabia quem era o grande herói dessa diáspora! Chamava-se João do Nascimento! Visionário e funcionário público.

(Crimson)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Roda da Fortuna





50 milhões de reais na mega-sena,
Ser jogador de futebol com uma renda de 500 mil mensais ou, viver o sonho de ser rock star e viajar o mundo, fazendo as multidões vibrarem em pleno êxtase (...)
curtindo as férias em hiates luxuosos, com a melhor das atrizes da novela das oito, vivendo esse sonho, que chamam de "felicidade"...
- A única coisa que busco é uma transmutação!  Será que é pedir demais?
  
(Felipe Pöe)

(poema pertencente ao livro "Esfinge", editora: Homero, São Paulo, Agebook)